segunda-feira, 4 de junho de 2012


04/06/2012 - 07h24

Clássico santista leva 500 pessoas ao estádio; Jabaquara fatura com lojinha

LUIZ COSENZO
ENVIADO ESPECIAL A SANTOS
RAFAEL VALENTE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE SANTOS

Torcedores de clubes rivais entram juntos no estádio sem causar tumulto. Alguns ocupam espaços diferentes, enquanto outros dividem assentos próximos nas arquibancadas para acompanhar o duelo entre seus times, quase centenários.

A cena descrita soaria estranha se a partida fosse Corinthians x Palmeiras, Flamengo x Vasco, Cruzeiro x Atlético ou Grêmio x Internacional, só para citar algumas rivalidades citadinas. Mas aconteceu entre Jabaquara e Portuguesa Santista, ontem, pela quinta rodada da segunda divisão do Campeonato Paulista --que na prática é a última.

Em caso de vitória, o líder Jabaquara daria um grande passo para assegurar a vaga na segunda fase e praticamente enterraria as chances da lanterna Portuguesa buscar uma reação. Apesar de sugerir tensão, o clima era mais parecido com um jogo entre amigos.

Com menos de meia hora para o início da partida, o único portão de acesso ao estádio permanecia fechado. Um grupo de 50 pessoas estava aglomerado do lado de fora do estádio Espanha, casa do Jabaquara, e com camisas das duas equipes. Quando o portão foi aberto, os torcedores entraram juntos e a grande maioria se separou na hora de ocupar os espaços nas arquibancadas. Outros optaram por assistir juntos ao clássico.

Já na entrada uma tenda com produtos do Jabaquara à venda --como camisas, adesivos e livros-- atraía a atenção. "Tivemos um aumento de 50% nas vendas em relação aos outros jogos. Hoje teve mais gente, mais imprensa. Foi diferente", disse Rita de Cássia, que cuida das vendas de forma voluntária.

Um boné era vendido a R$ 25. A camisa do Jabaquara saía a R$ 80, quase metade do preço de um clube grande da capital.

O trabalho em um clássico regional foi diferente até mesmo para a Polícia Militar, que trabalhou com efetivo de cinco oficiais.

"É diferente de outros jogos. Aqui é sempre assim, muito tranquilo, um clima de família e sem estresse", disse um dos oficiais, que pediu para não ser identificado.

Apesar de o estádio ter capacidade para mais de cinco mil pessoas, o clássico recebeu 572 pagantes. Foi o maior público do ano do Jabaquara, que nas três partidas feitas como mandante até aqui teve média de 371 torcedores.

TENSÃO DE LEVE


Só houve tensão em dois momentos. Primeiro quando torcedores da Portuguesa discutiram durante o primeiro tempo e tiveram de ser separados. O motivo era a falta de bandeiras e batuques. "Antes não tinha faixa e tínhamos time. Hoje temos faixa e não temos time", disse um dos torcedores, irritado. Depois, nos minutos finais, quando a Lusa conseguiu diminuir o placar e quase empatou.

No final, deu Jabaquara, que venceu por 2 a 1.


PERFIL


A maioria dos torcedores do Jabaquara é formado por pessoas com mais de 50 anos, muitos aposentados (que pagam meia entrada) e poucos adolescentes --quase todos integrantes da organizada Fúria Rubro Amarela.

"Na cidade não há clima de rivalidade entre as equipes. O Jabaquara é uma equipe simpática a todos, a Portuguesa Santista é um time que costumava fazer boas campanhas e o Santos é a equipe grande", opina Hélio Lima, o Serrinha, 73, apontado como torcedor símbolo da Lusa santista.

A campanha da equipe também dita o ritmo nas arquibancadas. Os torcedores esbanjavam confiança e comentavam de forma empolgada a liderança do Jabaquara, que em cinco jogos soma 13 pontos e já está praticamente classificado para a segunda fase.

Do lado da Portuguesa, equipe que até tem mais torcedores que o rival, o público é heterogêneo. Há pessoas mais velhas, mas também muitos adolescentes e até crianças. É o caso de Rafael Cheida, 7, que é torcedor da Lusa e do São Paulo.

"Meu pai começou a me levar para os jogos. Não torço pelo Santos e do Neymar gosto do cabelo", disse Rafael. "Ele acompanha todos os jogos. Hoje, ele que me acordou para vir. Não estava muito animado em virtude da campanha, mas deu para vir porque é um clássico família, sem rivalidade", explica Rogério Gomes, o pai de Rafael.

Nas arquibancadas, os torcedores da Lusa demonstravam um pouco mais de irritação, cornetavam os jogadores e também deixaram as faixas de ponta cabeça.

por: http://www1.folha.uol.com.br

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